quarta-feira, 27 de abril de 2011

Críticas à religião

A critica a religião começa com os pré socráticos ,que criticaram o politeísmo e o antropomorfismo. Eles afirmaram racionalmente que a pluralidade dos deuses é absurda, pois a essência da divindade é a plenitude infinita, não podendo haver senão uma potência divina. O antropomorfismo para os pré-socráticos reduz os deuses à condição de seres super humanos, essas críticas foram retomadas e sistematizadas por Platão, Aristóteles e pelos estóicos (CHAUÍ, 1997).
O grego Epicuro e o latino Lucrécio criticam a religião, dizendo que é uma mera fábula que nasce do medo da morte e da natureza é pura superstição. No século XVII, o filósofo Espinosa retoma essa crítica, mas inicia pela superstição, segundo sua crítica os homens tem medo dos males e esperança de bens, este é impulsionado pelas paixões (medo e esperança) não tem confiança em si mesmos e nos conhecimento racionais  para evitar males e conseguir bens, depositam males e bens em forças caprichosas como a sorte e a fortuna e concedem a elas poderes que os governam arbitrariamente, instaurando a superstição. Para alimentá-las criam a religião e esta, para conservar seu domínio sobre eles, estabelece o poder teológico-político (CHAUÍ,1997).
Na discussão filosofia da diferença entre a concepção de religião e de verdadeiro conhecimento de Deus fez fervilhar no século XVIII a ideia de religião natural ou deísmo. Contra a religião institucionalizada como poder eclesiástico e poder teológico-político, os filósofos da Ilustração afirmaram a existência de um Deus é força e energia inteligente, imanente à Natureza, conhecido pela razão e contrário à superstição (CHAUÍ,1997).
  Em seguida inicia a época da Crítica como é conhecida por muitos a época moderna, pois é neste período em que a razão se arroga como missão principal de avaliar criticamente todas as atividades humanas e todos os seus produtos e é nesta etapa da historia da humanidade que acontece a maior crítica a religião, pois como reflete Descartes é nesta época que a humanidade rompe é com a tradição (religiosa) e na qual a razão alcança a sua própria autonomia em relação à fé e a revelação (CHAUÍ 1997).
Na crítica á religião podemos distinguir três fases principais: a iluminista, a positivista e a hermenêutica. Fase iluminista, que vai de Espinosa a Hegel, a densidade racional da religião é gradativamente reduzida, embora ainda não tenha sido posto em duvida o papel positivo desempenhado pela religião na formação das pessoas e da sociedade. Fase positivista na qual a racionalidade é identificada como o saber científico, passa-se da redução da densidade racional da religião a um avaliação totalmente negativa do fenômeno religioso, que é julgado não somente desprovida de qualquer fundamento racional, mas também gravemente prejudicial ao progresso da humanidade: ela é “mentira absurda”(Nietzsche), “ópio do povo”(Marx), ilusão”(Freud), “utopia”(Bloch), “paixão inútil”(Sartre) (MONDIN,2005).
 Fase hermenêutica, que se abriu com o desenvolvimento das ciências humanas, aborda-se a religião como a mente mais serena, sem preconceitos para assim captar seu valor objetivo e seu papel fundamental na vida humana, tanto individual quanto social. Neste período a uma segunda fase, a crítica transforma-se em destruição a religião, e a secularização transforma-se em ateísmo (MONDIN,2005).          
                                                                                             
                                                                                                                  Prof Marcos Bento

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Cristianismo

Como diz Kierkegaard (ABBAGNANO, 2000), “o cristianismo é uma mensagem existencial”. O cristianismo por ser um fenômeno complexo que tem uma grande importância para a historia da humanidade e para entendê-lo devemos analisá-lo em sua perceptiva histórica. O elemento fundamental é a pessoa de Jesus Cristo, cujas referências históricas encontram-se nos Evangelhos ou Novo Testamento.  As informações sobre a vida de Jesus e as origens do cristianismo provêm de seus discípulos. A lembrança de suas palavras e ações, transmitidas através dos Evangelhos, mencionam os dias em que Jesus passou na terra. Os discípulos e seguidores de Cristo concluíram que o que ele demonstrava ser, através de sua ressurreição, confirmava a sua natureza divina. (CERRUTI, 1963)
 Os evangelistas: Mateus, Marcos, João e Lucas inspiraram-se na linguagem das escrituras ou Bíblia hebraica – chamada pelos cristãos de Antigo Testamento – para compor um relato sobre a realidade de Jesus Cristo. Estes judeus-Cristãos, acreditando ser vontade e ordem de Deus que se unissem para formar uma nova comunidade religiosa, salvadora do povo de Israel, fundaram a primeira igreja em Jerusalém. E hoje, é a religião mais abrangente do mundo, seu número de membros é superior a 1,7 bilhão, distribuídos por todo mundo. (CHAUÍ, 1997).  
prof Marcos Bento

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Religião

A religião é um fenômeno que traz muitas interrogações e que para alguns filósofos proporcionou conclusões como a de que religião ajudou o homem a superar a mera animalidade. Dentre as conclusões a uma acerca da religião que é celebre a de Hegel: 
Aquilo pelo qual o homem é homem, que o distingue do animal, é a consciência,o pensamento; mais precisamente isto: ele é espírito. O ponto do espírito se expande em múltiplas formas, e todas as diferentes ciências dele derivam, as artes e os infinitos entrelaçamentos de relações entre os homens, os interesses da vida política, usos e costumes, atividade e historicidade, gozos e tudo aquilo que para nós tem valor e merece consideração, que nos honra e dá satisfação, tudo aquilo no que o homem procura a sua vocação, as suas virtudes e a sua felicidade, de onde a arte e a ciência retiram o seu orgulho e a sua fama, as relações ligadas à sua e à sua vontade: tudo isso tem o seu ponto central na religião, no pensamento, na consciência, no sentimento de Deus. Ele é o ponto de partida e o ponto de chegada de tudo, onde tudo começa a ao qual tudo retorna [...] Dado que Deus é o principio e o termo do agir e do querer, então todos os homens e povos têm consciência de Deus, da substância absoluta como verdade que é a verdade em si mesmo (HEGEL apud MONDIN, 2005, p48) .               

A palavra religião vem do latim: religio, formada pelo prefixo re (outra vez, de novo) e o verbo ligare (ligar, unir, vincular). A religião é um vínculo. O fenômeno religioso é  eminentemente humano; não pode ser encontrado nos demais seres vivos, apenas no homem. Este é um ponto indiscutível, admitido até mesmo por Feuerbach que abre o ensaio “A essência do cristianismo” com o célebre parágrafo: “A religião repousa na distinção essencial entre homem e animal; os animais não têm religião. E bem verdade que os mais antigos naturalistas atribuíam ao elefante, entre outras louváveis qualidades, também a da religiosidade; mas a religião dos elefantes pertence ao reino das fabulas”. O fenômeno da religião abarca a humanidade  tanto em espaço como em tempo e não apenas a este ou aquele grupo social de uma época histórica particular. É um fenômeno que assume proporções consideráveis. Para Cícero, o homem é naturalmente religioso, porque a realidade que o circunda, com o seu fascínio e com o seu terror, sugere a ele a existência de um Ser superior. E, segundo a bela definição de Max Scheler, o Homo-religiosus é “o homem que interiormente participa de Deus e da sua força” (MONDIN, 2005).      
Prof Marcos Bento

O corpo fala

O corpo fala

Por Elton Alisson
Agência FAPESP – A manipulação de corpos em rituais funerários, utilizando ossos como símbolos para expressar crenças sobre a morte, não se restringia apenas aos povos que habitavam a região dos Andes há 10 mil anos, durante o Holoceno inicial. A prática também era realizada nesse mesmo período por povos localizados nas chamadas “terras baixas” do continente, incluindo o Brasil, revelam pesquisas realizadas pelo arqueólogo André Menezes Strauss, que cursa doutorado no Instituto Max Planck de Antropologia Evolutiva, em Leipzig, na Alemanha.
As descobertas dos estudos foram apresentadas em congresso da Associação Norte-Americana de Antropologia Física, realizado de 12 a 16 de abril em Minneapolis, nos Estados Unidos.
Durante sua pesquisa de mestrado, realizado no Instituto de Biociências (IB) da Universidade de São Paulo (USP), com Bolsa da FAPESP, Strauss participou da exumação de 26 esqueletos humanos sepultados no sítio arqueológico Lapa do Santo, em Minas Gerais, que foi escavado nos últimos dez anos no âmbito do Projeto Temático "Origens e microevolução do homem na América: uma abordagem paleoantropológica", financiado pela FAPESP, e  coordenado pelo professor do IB, Walter Neves.
Ao analisar os esqueletos humanos, datados de 8.500 anos, Strauss percebeu que os ossos apresentavam marcas de corte por instrumentos de pedra, tinham sido expostos ao fogo ou receberam aplicação de ocre (tinta marrom). Além disso, alguns esqueletos tinham membros amputados e foram sepultados de forma desarticulada, juntando os ossos de vários indivíduos, por exemplo.
Intrigado com a descoberta, Strauss e Pedro José Tótora da Glória, doutorando em antropologia física na The Ohio State University, revisitaram as coleções de ossos que foram escavados desde o início do século 19 em outros sítios arqueológicos na região de Lagoa Santa, onde está situada a gruta de Lapa do Santo. Os pesquisadores constataram que os ossos compartilhavam as mesmas características dos encontrados em Lapa do Santo.
“Identificamos um certo grau de sofisticação nos ritos mortuários desses grupos, que eram bastante diversificados, tinham características muito peculiares e uma forte ênfase na manipulação do corpo”, disse Strauss à Agência FAPESP.
Além de ter os ossos cortados e marcados, os esqueletos também foram organizados e dispostos nas sepulturas de acordo com regras muito específicas. O crânio de um adulto, por exemplo, era enterrado com o restante do esqueleto de uma criança, enquanto crânios infantis eram sepultados com os ossos de pessoas maduras.
Em outros casos, os dentes de um indivíduo eram removidos para adornar os restos mortais de outro. “Eles expressavam através da materialidade do osso princípios dicotômicos que deviam fazer parte da cosmologia deles”, analisou Strauss.
De acordo com o pesquisador, não se esperava que as práticas mortuárias dos primeiros habitantes da América do Sul fossem tão elaboradas, como revelaram as pesquisas.
Isso porque na antropologia havia uma ideia de que, pelo caráter nômade dos caçadores-coletores pré-históricos, eles não despenderiam tempo e energia para enterrar mortos. Mas a descoberta das múmias Chinchorros no Chile, no início da década de 1970 e, agora, dos achados em Lapa do Santo estão colaborando para demover essa ideia.
“Assim como os grupos em Lagoa do Santo, os Chinchorros também eram caçadores-coletores. Ninguém esperava que grupos vivendo há mais de 8 mil anos na costa andina mumificassem seus mortos e que os grupos em Lagoa Santa teriam rituais funerários elaborados”, disse Strauss.
Com base nessas descobertas, segundo o cientista, será possível estabelecer um novo quadro regional para as práticas mortuárias na América do Sul durante o Holoceno inicial, caracterizado não pela simplicidade dos enterros, como se imaginava, mas pela sofisticação dos ritos funerários, como foi comprovado pela manipulação do corpo pelos grupos que habitaram Lagoa do Santo.
“Agora não dá mais para dizer que durante o Holoceno inicial as práticas de manipulação do corpo estavam limitadas aos Andes, mas sim que estavam dispersas por boa parte da América do Sul, incluindo as terras baixas”, afirmou.
Peter Lund
No Instituto Max Planck, Strauss estuda evolução humana e, paralelamente à sua pesquisa de doutorado, continua investigando as práticas mortuárias sul-americanas.
Na Europa, o cientista pretende visitar as coleções escavadas pelo naturalista dinamarquês Peter Lund (1801-1880) em Lagoa Santa para tentar encontrar evidências de que elas apresentam as mesmas características dos ossos escavados recentemente no sítio arqueológico mineiro e que passaram despercebidos pelos arqueólogos que já haviam passado por Lapa do Santo. As coleções de Lund estão no Museu de História Natural da Dinamarca.
“Demos muita sorte porque a região de Lagoa Santa tem centenas de cavernas que foram escavadas por equipes de arqueólogos. Lapa do Santo era um sítio arqueológico virgem”, disse Strauss.
Os arqueólogos que escavaram a região mineira anteriormente podem não ter atentado ao fato de que os ossos apresentavam marcas por terem outros objetivos de pesquisa, como a coexistência do homem com a megafauna e morfologia craniana. Além disso, não era possível identificar essas características nos esqueletos com os métodos disponíveis na época.
“Levamos mais de duas semanas para exumar cada sepultamento humano e escavamos apenas cerca de 15% do sítio de Lapa do Santo. A ideia é deixar material disponível para ser escavado no futuro, com novas técnicas”, disse Strauss.

sábado, 16 de abril de 2011

Ser leve e líquido

Interrupção, incoerência, surpresa são as condições comuns de nossa vida. Elas se tornaram mesmo necessidades reais para muitas pessoas, cujas mentes deixaram de ser alimentadas... por outra coisa que não mudança repentinas e estímulos constantes renovados... Não podemos mais toleras o que dura. Não sabemos mais fazer com que o tédio dê frutos.
Assim, toda a questão se reduz a isto: pode a mente humana dominar o que a mente humana criou?  
Paul valéry

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Ágora

Ágora era a praça principal na constituição da pólis, a cidade grega da Antiguidade clássica. Normalmente era um espaço livre de edificações, onde as pessoas costumavam ir configuradas pela presença de mercados e feiras livres em seus limites, assim como por edifícios de caráter público. Enquanto elemento de constituição do espaço urbano, a ágora manifesta-se como a expressão máxima da esfera pública na urbanística grega, sendo o espaço público por excelência. É nela que o cidadão grego convive com o outro para comprar coisas nas feiras, onde ocorrem as discussões políticas e os tribunais populares: é, portanto, o espaço da cidadania. Por este motivo, a ágora (assim como o pnyx, o espaço de realização das eclesias) era considerada um símbolo da democracia direta, e, em especial, da democracia ateniense, na qual todos os cidadãos tinham igual voz e direito a voto. A de Atenas, por este motivo, também é a mais conhecida de todas as ágoras nas póleis da antiguidade.

O estética no mundo contemporâneo

                O estética no mundo contemporâneo

O objetivo deste texto, como o próprio título já evidencia, é o de comentar a estética no sentido do seu significado e sua adequação no mundo contemporâneo. Mas antes vamos conceituar e contextualizar a estética. Pretendemos esclarecer sobre o enfoque próprio que a estética tomou em nossos dias. Incluímos aqui, todo tipo de estética mercantilizada. Por exemplo, a preocupação contemporânea com a  “estética” dos objetos de consumo.
                Vamos entender o que quer dizer esta palavra estética, é um termo tirado do grego aisthesis = sensação, é criado por Burmgarten como titulo a sua obra A Estética(1750), que tinha como objetivo a analise e a formação do gosto.Geralmente é empregada para denominar aquela parte da filosofia que se ocupa da arte: de sua natureza, princípios, funções e distinção das outras atividades do espírito.
Para entendermos o que este termo é necessário nos remetermos a Charles Sanders Peirce que vai traduzir o estético como tudo aquilo que nos chama atenção ou em outra palavra as aquilo que nos causa desejo e interesse, assim este filosofo nos traz a questão fundamental da estética. hoje   vivemos em um mundo que transpira estética em todas as partes e como isso vem condicionando nossas vidas, nossa escolhas no âmbito da política, economia e da vida social como um todo. Estamos na época da “estética”, hoje tudo precisa, além de ser “útil”, ser estético, belo, encantador, superior a tudo e a todos, mas como isso acontece? Acontece, pois que a mídia e sistema que a rege  “moldaram” nossa maneira de entender o que é estético, exemplo o que nos chama atenção hoje não é o estético, o Belo, de Platão que é o Bem ou de Hegel que trata com um conhecimento das verdades últimas, da natureza profunda das coisas, do Absoluto,  sim o “belo” da “estética” adaptado ao sistema  capitalista, que não importa para que serve, se tem um toque sofisticado e tecnológico e tem um valor atribuído alto é lindo, belo e maravilho.       
Portanto o mundo capitalista tem esta capacidade de dar novos significado a varias questões para o seu processo de fetiche te todas as coisas, e como vimos até mesmo ao estético, devemos então pensar, o que entendemos como estético hoje? E como isso pode manipular nossas escolhas? E como pensar o estético de maneira diferente neste mundo pós-moderno e consumista. Estas são questões  para uma próxima conversa.


prof Marcos Bento Ribeiro