A critica a religião começa com os pré socráticos ,que criticaram o politeísmo e o antropomorfismo. Eles afirmaram racionalmente que a pluralidade dos deuses é absurda, pois a essência da divindade é a plenitude infinita, não podendo haver senão uma potência divina. O antropomorfismo para os pré-socráticos reduz os deuses à condição de seres super humanos, essas críticas foram retomadas e sistematizadas por Platão, Aristóteles e pelos estóicos (CHAUÍ, 1997).
O grego Epicuro e o latino Lucrécio criticam a religião, dizendo que é uma mera fábula que nasce do medo da morte e da natureza é pura superstição. No século XVII, o filósofo Espinosa retoma essa crítica, mas inicia pela superstição, segundo sua crítica os homens tem medo dos males e esperança de bens, este é impulsionado pelas paixões (medo e esperança) não tem confiança em si mesmos e nos conhecimento racionais para evitar males e conseguir bens, depositam males e bens em forças caprichosas como a sorte e a fortuna e concedem a elas poderes que os governam arbitrariamente, instaurando a superstição. Para alimentá-las criam a religião e esta, para conservar seu domínio sobre eles, estabelece o poder teológico-político (CHAUÍ,1997).
Na discussão filosofia da diferença entre a concepção de religião e de verdadeiro conhecimento de Deus fez fervilhar no século XVIII a ideia de religião natural ou deísmo. Contra a religião institucionalizada como poder eclesiástico e poder teológico-político, os filósofos da Ilustração afirmaram a existência de um Deus é força e energia inteligente, imanente à Natureza, conhecido pela razão e contrário à superstição (CHAUÍ,1997).
Em seguida inicia a época da Crítica como é conhecida por muitos a época moderna, pois é neste período em que a razão se arroga como missão principal de avaliar criticamente todas as atividades humanas e todos os seus produtos e é nesta etapa da historia da humanidade que acontece a maior crítica a religião, pois como reflete Descartes é nesta época que a humanidade rompe é com a tradição (religiosa) e na qual a razão alcança a sua própria autonomia em relação à fé e a revelação (CHAUÍ 1997).
Na crítica á religião podemos distinguir três fases principais: a iluminista, a positivista e a hermenêutica. Fase iluminista, que vai de Espinosa a Hegel, a densidade racional da religião é gradativamente reduzida, embora ainda não tenha sido posto em duvida o papel positivo desempenhado pela religião na formação das pessoas e da sociedade. Fase positivista na qual a racionalidade é identificada como o saber científico, passa-se da redução da densidade racional da religião a um avaliação totalmente negativa do fenômeno religioso, que é julgado não somente desprovida de qualquer fundamento racional, mas também gravemente prejudicial ao progresso da humanidade: ela é “mentira absurda”(Nietzsche), “ópio do povo”(Marx), ilusão”(Freud), “utopia”(Bloch), “paixão inútil”(Sartre) (MONDIN,2005).
Fase hermenêutica, que se abriu com o desenvolvimento das ciências humanas, aborda-se a religião como a mente mais serena, sem preconceitos para assim captar seu valor objetivo e seu papel fundamental na vida humana, tanto individual quanto social. Neste período a uma segunda fase, a crítica transforma-se em destruição a religião, e a secularização transforma-se em ateísmo (MONDIN,2005).
Prof Marcos Bento
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